Testando

Foto: We heart it
De súbito, eu despertei. Mas dessa vez, não só abri os olhos e simplesmente acordei do inconsciente. Algo estava diferente.

Olhei para o lado e o relógio marcava exatamente seis da manhã. O sol estava nascendo e, aos poucos, sua luz não tão intensa da manhã de segunda atravessava as cortinas e iluminava meu quarto. Me sentei na cama e olhei para os meus pés, que dessa vez, alcançavam o chão. "Nossa, eu cresci". Nessa rotina cotidiana que de uma forma ou de outra acaba nos transformando em robôs, é difícil pararmos para perceber isso, mas de vez em quando, acontece.

O celular vibra. Antes de pegar, imagino quem seja. Imagino você. Não me lembro da última mensagem, mas sempre imagino você. Então, pego o celular, digito a senha de quatro dígitos e deslizo o dedo na tela para baixo. E pra minha decepção: nenhum sinal seu. Abro o WhatsApp, entro na sua conversa e percebo que já fazem dois dias que não nos falamos. Nossa última mensagem, ou melhor, a minha última mensagem, foi no sábado﹘"Vai fazer o que hoje?", marcada com os dois tortuosos risquinhos azuis. E mais tortuoso ainda é saber que já faz aproximadamente quarenta e cinco horas, e ela ainda não foi respondida, mesmo você estando online há oito horas atrás. Confesso que se fosse há uma semana atrás, eu já teria enviado alguma mensagem do tipo: "que vácuo". Mas eu sei que não adiantaria. Você só responderia que seu celular está uma merda, que sua internet voltou agora ou que  jura que não viu. Aquelas desculpas de sempre. E a minha pergunta continuaria ali, não respondida - mesmo agora não fazendo diferença alguma a resposta. (Essa tecnologia só me enlouquece).

Não vivemos lá grandes aventuras. Não conversamos muito, não marcamos com um beijo aquele filme que vimos no cinema e muito menos deixamos marcas de quando nos lembramos um do outro quando víamos algum meme no Facebook. Mas algo muito forte me prende a você. Algo que me sufoca, me engole e me engolfa. E eu sei que você sabe disso. Impossível não saber.

Eu não paro muito para pensar em nós. Na verdade, nas coisas erradas com a gente, porque você é a memória de todas as horas dos meus dias, é inevitável. Mas eu sei que tem muitas coisas erradas e que não é tudo paranoia da minha cabeça, como você diz. Talvez até possa ser, mas eu não me conformo com essa forma de amar. Não que eu esteja julgando a sua forma de amar, de maneira nenhuma. Só não me satisfaz. Talvez eu é que seja exagerada. Mas sinceramente, eu não entendo como é possível a saudade não apertar a noite e você nem se quer desejar me mandar uma mensagem.

Me pego me perguntando como foram os seus relacionamentos que vieram antes de mim. Chego até a pensar que o erro sou eu, mas decido não fazer isso comigo mesma e simplesmente aceitar que você não é quem eu procurava e nem se quer, se esforçou para ser.

Olho a sua foto e desejo que você perdoe a minha ida sem avisos e se cuide. Não quero receber notícias suas e saber que você não tá legal, até porque, o sentimento não permite.

E então, te excluo da minha agenda, desligo o celular, me deito e volto a dormir.
Esse texto é apenas uma crônica escrita pela autora do blog, Mari Ferreira

Eduarda

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